VARIAS CRISES FEBRIS SIMPLES E ARTEFATO DE ECG em menina 2anos4meses. COMO RESOLVER. 08.10.2019   Atualizado recentemente!


CRISE FEBRIL SIMPLES E ARTEFATO DE ECG. COMO RESOLVER. 06.10.2019

ESTE MATERIAL FAZ PARTE DO ATLAS SPIKE DE EEG

 

 

 

 

 

 

 

COMO RESOLVER (MODELO DE LAUDO):

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MODELO DE LAUDO APENAS PARA REFERÊNCIA

30/09/2019
ELETRENCEFALOGRAMA DIGITAL

Exame realizado em condições técnicas satisfatórias em vigília e sono espontâneo N-REM. A
atividade elétrica cerebral de base é regular, organizada e simétrica, com ritmos posteriores a 5-6 Hz
(normal para a idade). Durante o sono, a atividade elétrica de fundo é regular e apresenta os
grafoelementos próprios deste estado. Não observamos descargas paroxísticas patológicas. A
abertura e fechamento ocular nada acrescentaram. A hiperpnéia apresentou resposta normal. A
Fotoestimulação mostrou reatividade inalterada.

ESTUDO QUANTITATIVO DA ATIVIDADE DE FUNDO EM VIGÍLIA
A análise de amplitudes e dos espectros de potência confirmaram a normalidade da atividade de
fundo. Os topogramas de potenciais no tempo não identificaram anormalidades. O estudo de
coerência dos ritmos mostrou-se normal.

Conclusão: EEG digital e quantitativo normal em vigília e sono espontâneo.

Paulo Afonso Medeiros Kanda crm 54378- sp

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NEUROVALE
LABORATÓRIO DE NEUROFISIOLOGIA & ELETRENCEFALOGRAFIA
RUA PORTUGAL , 131. (12) 3632-0956 TAUBATÉ - SÃO PAULO.
Whatsapp: 12 9 92518084
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06/10/2019

Prezado(a) Dr(a).

Comentários gerais adicionais, não relacionados diretamente a este paciente.

O EEG pode ser sensível em condições tais como: a síndrome de susceptibilidade benigna a crises na infância e muitas
vezes normal em condições como epilepsias frontal e do lobo temporal. Raramente, até mesmo eventos ictais podem não
ser detectados no EEG de escalpo (algumas crises frontais são exemplo típico disto). Principalmente os pacientes com
epilepsias focais podem ter vários EEGs normais e a localização no EEG de escalpo nem sempre é concordante com o EEG
intracraniano ictal. Mais de 40% dos epilépticos podem ter um EEG inter-ictal normal. Esta porcentagem cai para 8%
com a repetição dos EEG e procedimentos de ativação. O sono especialmente aumenta a chance de aparecimento de
descargas1.

Outras fontes relatam que cerca de 50% dos pacientes com epilepsia mostram descargas epilépticas interictais (DEI) no
primeiro EEG. Rendimento pode ser aumentado através da repetição do EEG de rotina (até quatro exames) e através da
utilização de estudos do sono. A combinação de vigília e do sono no EEG dá positividade até de 80% em pacientes com
epilepsia2.

Há evidências de que a privação do sono tem um valor diagnóstico adicional, ativando principalmente DEI em epilepsias
generalizadas idiopáticas3.

Pode ocorrer potenciação de descargas epileptiformes até 24 horas após crises parciais e generalizadas, assim fica
sugerido, quando possível, a solicitação dos EEGs dentro das 24 h pós crise. Dentro deste período aumenta-se a
probabilidade de visualização de DEI4.

EEG interictal prolongado aumenta a chance de visualização de DEI em cerca de 20%. Sugere-se quando indicado a
solicitação de EEG prolongado com 2h de captação.

Entretanto, a frequência das crises não é proporcional às descargas paroxísticas 'epileptogênicas' no EEG. EEGs com
muitas descargas 'epileptogênicas' podem ser vistos em pacientes com crises esporádicas ou vice-versa. As anomalias no
EEG podem não refletir a gravidade da doença5.
Mais de 10% das pessoas normais podem ter anormalidades não específicas no EEG e aproximadamente 1% pode ter
'atividade epileptiforme paroxística' sem crises epilépticas6, 7.

A prevalência de anormalidades sem crises é maior em crianças, com 2-4% apresentando descargas epileptogênicas
funcionais (sem crises clínicas)7. Isto é, algumas vezes a criança é normal e apresenta EEG alterado, ou, apresenta
epilepsia e o EEG é normal. Ressaltamos que a repetição dos exames pode aumentar a possibilidade de diagnóstico.

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06/10/2019

Prezado(a) Dr(a).

(continuação)

Atividade epileptiforme paroxística é frequente em pacientes com distúrbios não-epilépticos. Por exemplo, as crianças
com deficiências visuais congênitas frequentemente têm pontas occipitais e pacientes com enxaqueca têm uma alta
incidência de atividade paroxística por pontas e outras anormalidades7, 8.

Assim, EEG normal não afasta quadro de Epilepsia e EEG anormal pode confirmar o quadro na dependência do quadro
clinico e/ou história.

Paulo Kanda
neurofisiologista - 06/10/2019

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06/10/2019

Prezado(a) Dr(a).

Referências
1. Binnie CD, Prior PF. Electroencephalography. Journal of neurology, neurosurgery, and psychiatry
1994;57:1308-1319.
2. Binnie C. Epilepsy in adults: diagnostic EEG investigation. In: Kimura J, H S, eds. Recent advances in clinical
neurophysiology. Amsterdam: Elsevier, 1996: 217–222.
3. Halasz P, Filakovszky J, Vargha A, Bagdy G. Effect of sleep deprivation on spike-wave discharges in idiopathic
generalised epilepsy: a 4 x 24 h continuous long term EEG monitoring study. Epilepsy research 2002;51:123-132.
4. Smith SJ. EEG in the diagnosis, classification, and management of patients with epilepsy. Journal of neurology,
neurosurgery, and psychiatry 2005;76 Suppl 2:ii2-7.
5. Panayiotopoulos CP. Benign Childhood Partial Seizures and Related Epileptic Syndromes. London: John Libbey &
Company Ltd, 1999.
6. Niedermeyer E, Schomer DL, da Silva FHL. Niedermeyer's Electroencephalography: Basic Principles, Clinical
Applications, and Related Fields: Wolters Kluwer Health/Lippincott Williams & Wilkins, 2011.
7. CP P. The Epilepsies: Seizures, Syndromes and Management. Oxfordshire (UK): Bladon Medical Publishing,
2005.
8. Sand T. Electroencephalography in migraine: a review with focus on quantitative electroencephalography and
the migraine vs. epilepsy relationship. Cephalalgia : an international journal of headache 2003;23 Suppl 1:5-11.
9. CASTRO, C.B.B. et al . Comparação entre o eletrencefalograma de sono natural e o induzido por hidrato de cloral
em relação às alterações paroxísticas e ao ritmo de base: paroxystic changes and baseline rythms. Arq. Neuro-Psiquiatr.,
São Paulo , v. 52, n. 3, p. 326-329, Sept. 1994 .
10. Olson DM1, Sheehan MG, Thompson W, Hall PT, Hahn J. Sedation of children for
electroencephalograms.Pediatrics.

Página 4

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